22
Mar
09

Aviso: Mudança de endereço do abitpixel

A partir de hoje, o conteúdo deste blog passa a estar dísponível em:

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20
Mar
09

ligações (pouco) perigosas @ 20.03.2009


©Neni Glock

Bom fim de semana!

19
Mar
09

Isso é tudo teu?

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Fiquei de postar aqui mais alguns retratos feitos durante o Carnaval, aqui está o prometido. Esta série, sobre a qual ainda não tenho um título que goste, aponta em várias direcções ligadas à noção de identidade e auto-imagem; a fotografia como mecanismo reconfigurador da auto-imagem (prótese) e o uso das próteses (cabeleiras, seios falsos, maquilhagem, etc) nesse processo.

18
Mar
09

descubra as diferenças

© Wojciech Grzedzinski
Foto premiada nos Sony World Photography Awards


© Wojciech Grzedzinski

18
Mar
09

#8 capital reflex

02-maVer série completa, aqui.

17
Mar
09

branilasv kropilak vs edgar martins

©branislav kropilak, da série Garages

©edgar martins, da série Hidden

Encontrei nas imagens de Branislav Kropilak, algumas semelhanças com trabalhos de Edgar Martins. A propósito, o artista português inaugura a exposição “Topologias” no Museu do Oriente, a 20 de Março.

16
Mar
09

david s ware, godspellized

Na foto: Momento de oração, Mosteiro Budista Manjushri

Há uns anos, enfrentei uma duro workshop de desenvolvimento pessoal, na manhã da recepção, ao entrar na sala, John Coltrane soprava “A Love Supreme” em altos berros, senti-me tão bem acolhido que mal vislumbrei o que se poderia seguir. Passados anos, novo processo de renascimento, desta feita acompanhado pela música de David S Ware, que me acolheu com “Godspellized“. Ambos os músicos partilham um concepção do Jazz, que envolve termos próximos da noção de Deus, de Espírito, de Amor, sendo “A Love Supreme” para além do tributo de John Coltrane ao Criador, uma das obras maiores de toda  a história do Jazz. “Godspellized“, cujo tradução significa literalmente, enfeitiçado por Deus, embora menos conhecido não é por isso menos venerado entre os conhecedores. David S Ware, cuja sonoridade e praxis musical, condensa espiritualidade, individualidade e liberdade criativa, é desse modo comummente situado como descendente maior duma hipotética linhagem iniciada em John Coltrane e que passa por Pharoah Sanders, Albert Ayler, Charles Gayle, etc.

Passo a contar a história que me moveu a escrever este post: David Ware sofre de disfunção renal desde 1999, fazendo diálise quase diariamente. Em Janeiro, os médicos confrontaram-no com o risco de vida, caso não obtivesse uma doacção de rim. Steven Joerg, da sua editora Aum Fidelity, informou através de email (obrigado, Eduardo) que tinha sido encontrado um(a) dador compatível, Laura Mehr, informando-nos também de que já existe data marcada para o transplante, 5 de Maio.

Laura, escreveu-nos esta nota:
Over 30 years ago, my husband and David shared time and spiritual understanding. During Maurice’s lifetime as a spiritual aspirant and transcendent artist, Maurice talked affectionately about David and the mutual artistic understandings and spiritual connections they shared.
When Maurice passed on almost two years ago, I contacted David to let him know that Maurice had passed. About a year after that, a friend of mine was in need of a kidney transplant, and I volunteered to be tested. Before I could be tested, my friend received a kidney from the UNOS transplant list. This was a great happy surprise to both of us, and he is now home and his new kidney is functioning well. Less than 48 hours after I got the news that my friend had received his transplant, Steven sent out the appeal about David’s situation. My stunned reaction that this could be happening so quickly, gave way to the even greater surprise that as with my friend, David and I were the same blood type.  I did not hesitate to volunteer, as I knew that this was not simply happenstance, but divine intervention. As David later said “Life is truly stranger than fiction”.
Things have moved quickly from that point, and all tests have come back as a match, and we are ready, on May 5th, to cross that bright line where giving and receiving are actually one and the same.”

–Laura Mehr

Uma vez que lhes não posso enviar as lágrimas de alegria que verti, quando soube desta extraordinária sincronicidade e altruísmo, este post serve apenas como pálida nota de gratidão, a David S Ware, pelos sucessivos layers de divino que a sua música vem revelando em mim, a Steven Joerg, pela demonstração de como negócio e profissionalismo também rimam com humanismo, e finalmente, a Laura Mehr, talvez o anjo maior desta constelação, que com a sua dádiva altruista, permite a revelação de que a fina linha entre o dar e o receber, são apenas uma e a mesma.

16
Mar
09

Jen Davis, Auto-Retratos

Esta série de auto-retratos de Jen Davis chamou-me a atenção de vários ângulos, por um a lado, a utilização não standardizada do corpo feminino, como paradigma de efectivação de um estudo fotográfico “bonito ou atraente”. Sabendo como no Photoshop tudo se altera, a maior parte das representação mediatizadas do corpo feminino é tudo menos realista. Por outro lado, as imagens não deixam contudo de apresentar tensão na amplo quadro de direcções  em que navegam, em que através da representação de um corpo feminino que não representa uma padrão actual de beleza, nos são sugeridas interligações com questões ligadas à sexualidade, à alimentação,  à moda, à auto-estima, etc.  Uma série que se poderia considerar íntima, subjectiva, que não reflectiria sobre o mundo mas sobre si mesma, mas que pela forma como é trabalhada consegue transitar do particular para o geral, trazendo para a linha da frente questões essenciais não só do individual, como do colectivo.

14
Mar
09

Entrevista com Larry Towell no Twitter

larry_towell_twitteringPodem ver aqui a transcrição completa da entrevista online que Larry Towell deu via Twitter na quinta-feira passada, na qual também participei com uma pergunta. É dele um dos livros de cabeceira que leio actualmente The World From My Front Porch, do qual, conto em breve aqui dar nota. A foto é o “apanhado no acto”.

13
Mar
09

ligações (pouco) perigosas @ 13.03.2009

larry-towellNa foto: Naomi (filha de Larry Towell e Ann) & Lion (o gato), fotografia incluída no livro The World From My Front Porch.

Links para esta semana, com alguma política pelo meio, um fred astaire português… e para quem ainda não sabe para que serve o Twitter, pode servir para questionar em directo Larry Towell:

Joaohenriques@magnumphotos how can one convey objectivity and subjectivity through documentary photography #towell

magnumphotos@Joaohenriques I’m only interested in subjectivity and in first person experience, that’s enough #towell

  • The Dalai Lama, ensaio fotográfico na Time. Como não amar este senhor, que mesmo vendo o povo do seu Tibet natal  ser martirizado pela ocupação chinesa, continua a incitar à não-violência e ao respeito, sinais do carácter de um povo que cultiva o budismo, num país, berço da elevação espiritual e da transcendência, que há 50 anos é ocupado pela China. Sou confrontado quase diariamente com produtos Made in China, o que me deixa, enquanto consumidor, em permanente confronto moral comigo mesmo, tal a ubiquidade de produtos dessa proveniência. De bom grado pago mais, por produtos feitos em países que respeitem os direitos humanos, que tenham condições adequadas para os trabalhadores, que contribuam para o bem estar e para a paz no mundo. E esta triste e nojenta realpolitik dos políticos portugueses, que apertam a mão, fazem negócios e convivem bem com tudo quanto é gente com fama pouco recomendável, negando-se a receber condignamente este embaixador da boa vontade que é o Dalai Lama. À dias, falava Vital Moreira da falta de sentido de estado do BE (note-se que não sou apoiante de nenhum partido) em se recusar a participar na recepção ao presidente angolano, mas parece-me que é ele próprio um dos maiores contribuintes da sua antologia do disparate (e farsa e branqueamento) político.
  • Slideshow com os prémios World Press Photo 2009
  • Na Burn, Chris Bickford e Storm, fotografias de Surf que apelam ao Into the Wild que existe em cada um.
  • Para melhor entender o fotógrafo, Três perguntas a Paulo Catrica
  • Dança bem, o senhor Manuel…



12
Mar
09

moira lovell, the after school club

Série algo particular de Moira Lovell, jovens que se vestem de “uniforme escolar” para ir à discoteca, fotografadas no pós-festa, defronte de portões de escolas secundárias. É dissecada a temática do uniforme escolar, forma de vestir que oferece um look sexualizado e infantilizado, de não ameaçadora sexualidade da parte da mulher, perante o olhar masculino (male gaze), enquanto que no sistema educacional, o objectivo dessa indumentária é o de providenciar uma identidade homogénea, não estimuladora da competição.  É sugerido que as escolas, enquanto instituições disciplinadoras, parecem em parte, criar um núcleo de seguidores obedientes do olhar masculino (male gaze).

Esta série oferece um ponto de contacto com um aspecto que ganhou algum protagonismo nas discussões sobre metodologia de pesquisa, justamente o género (gender) de quem “vê/fotografa”, que devido à natureza da interacção sensual e sexualizada com o sujeito,  seria passível de influenciar a narrativa. Esta preocupação parece advir do facto de que a fotografia, a partir de determinada altura, passou a ser encarada não só como um bom “braço armado” da investigação antropológica, mas sobretudo, ela própria poderia aspirar à categoria de antropologia visual. Todavia, para que se consolidasse como credível nos meios de investigação, seria necessário acautelar alguns aspectos que colocavam em causa a natureza objectiva da pesquisa académica. Daí surgiu esta questão do “gender gaze”, em que se defende que a identidade do género do indíviduo que observa/fotografa, altera/distorce aquilo que está a ser observado. Seria também interessante verificar como esta tese serviu ou serve de argumento à desqualificação de determinado tipo de trabalhos, baseado naquilo que mais parece ser uma discriminação de género, embora branqueada por um suposta neutralidade objectiva face ao sujeito. Por outro lado, embora dando muito jeito o facto de existir uma versão académica que fundamenta uma determinada visão sexista da fotografia (já agora porque não das restantes artes…), é de questionar o propósito da afirmação daquilo que parece ser o “male gaze”, sobretudo se caucionar uma visão vitimizadora do sexo feminino, em que a mulher é vista como mero joguete nas mãos do homem e não como actor participante. A redução da fotografia ao documento cartográfico exposto exclusivamente segundo critérios científicos, de que esta temática abordada hoje pode ser um exemplo, tem dado origem a um corpo de trabalho na sua maioria imensamente aborrecido, de conteúdo meramente positivista, de forte extensão objectiva e fraca profundidade subjectiva, cuja visibilidade e valor comercial parece estar francamente sobreavaliado. A versão mecanicista da fotografia, que se vê pobremente decalcada das restantes ciências sociais, num esforço de credibilização, mas sobretudo de estatuto. É conhecido na Psicologia, o facto dos sentimentos de inferioridade serem amiúde compensados por uma hiper-valorização, o indíviduo que “não sabe pintar”, vai procurar colmatar essa falha de modo exagerado justamente porque sobrevaloriza essa falha, mas isso não faz dele um pintor, equívoco que parece transponível para alguma da fotografia contemporânea, que além de ter começado a querer pintar, quer agora também ser culta e saber escrever. Como parecem infirmar estas fotos de Moira Lovell, o importante na ida à escola, é poder usar esta bela (male gaze male gaze…) indumentária…

11
Mar
09

the bad plus

Foto: Ethan Iverson (pianista, The Bad Plus), FMM-Sines, 2006

Neste artigo no The Rest is Noise, Alex Ross chama a atenção para algumas particularidades da música Semi-Simple Variations (com um teledisco hilariante) inserida no novo disco dos The Bad Plus, For All I Care, desse modo aproveito a deixa, para de uma só vez preencher 3 vias, a primeira, desavergonhadamente autopromocional, apresentando fotos minhas sobre a banda; a segunda, para vos contar sobre este trio jazz de um convencional piano-baixo-bateria, mas cuja convencionalidade é algo enganadora, quiçá fazendo jus ao título da dita música… Ora ouvejam lá esta famosa faixa…

Já com alguns álbuns no currículo, desta formação destacaria These Are The Vistas [2003], Give [2004] e Suspicious Activity [2005], que abrem possibilidades ao desenrolar de novos cruzamentos entre linguagens musicais, de um modo que me parece particularmente estimulante, sem nunca perder o pé no jazz. A este respeito, leiam o excelente Enquanto andamos por aí distraídos… “ele move-se!” no site de Manuel Jorge Veloso, que aliás é o alvo da última “via” deste artigo, como lhe chamei no início, tão só um palavra de  reconhecimento a este crítico de jazz, talvez aquele que associou o saber musical ao talento para decifrar e descrever o jazz, de forma que mais ninguém fez em Portugal (repare-se que José Duarte não é crítico, mas sim divulgador) e que, faz já algum tempo, se entregou nas mãos da blogosfera.


Foto: Reid Anderson (contrabaixista, The Bad Plus), FMM-Sines, 2006
Foto: Dave King (baterista, The Bad Plus), FMM-Sines, 2006
10
Mar
09

cátia aguiam, família

Cruzei-me com este trabalho de Cátia Aguiam na última Bienal de Vila Franca, em Novembro passado, acontecimento sobre o qual escrevi neste  post, tendo surgido a oportunidade de uma pequena entrevista com a autora, abaixo reproduzida.

ABP – Começo por desfazer o equívoco de ter pensado que este trabalho que apresentaste na Bienal de Vila Franca  estaria a concurso, pois não notei que se tratavam apenas de 4 imagens quando o regulamento pedia 6 para poder concorrer aos prémios. Como é que surgiu o convite para lá expôres?

CA – Este trabalho – Família – faz parte do meu projecto de final de curso na ETIC, na área de fotografia criativa. Na altura da apresentação do trabalho ao júri convidado, a escola decidiu que seria eu a representá-la na Bienal de Vila Franca de Xira, como aluna do ensino profissional. Para mim foi um privilégio que funcionou também como um incentivo a continuar com estes tipos de projectos. Foi também importante porque deu um pouco de visibilidade ao que faço.

1

ABP – Como é que surgiram estas imagens?

CA -Explicar como é que uma ideia surge nunca é fácil para mim, mas vou tentar! Não posso negar que o que faço, o resultado final, tem algo de mim, no sentido  e na forma como observo, absorvo e penso o que me rodeia. Assim sendo, não posso dizer que estas imagens surgiram de uma só ideia, mas sim de várias! O que posso afirmar é que me inspirei em anúncios televisivos diversos, desde cervejas, detergentes, óleos de cozinha, carros, telenovela, o canal MTV, etc. É a partir do conjunto dessas influências que nasce o pensamento crítico que  é transmitido nesta série “Família”, pois para mim, os anúncios publicitários são veículos que reflectem muito bem a nossa sociedade. Quanto ao processo criativo propriamente dito, após um primeiro período de observação e pesquisa, nasce a vontade de partilhar ou expulsar o que vai cá dentro, mas que ainda não tem por vezes uma forma concreta!  Por exemplo, as máscaras e as situações encenadas foram modos descobertos à posteriori para transmitir as idéias!

2

ABP – Nota-se trabalho de “produção” a vários níveis, conta-nos um pouco da feitura das imagens.

CA – De um modo prático, a maior dificuldade na realização das imagens foi pela tentativa em me aproximar o mais possível ao que imaginei nos momentos de criação. Nessa tentativa de mostrar os pormenores, nem sempre  consegui operacionalizar tudo, porque houve imagens que surgiram na minha cabeça  totalmente completas e detalhadas, mas que depois por factores vários não foi possível realizar do modo imaginado! Quando isso não aconteceu, tentei encontrar a pessoa que melhor se adequasse à personagem e encontrar espaços viáveis. Por exemplo, a imagem na piscina, eu queria transmitir a competitividade feminina, tinha idealizado a situação numa piscina de competição, mas como houve autorizações que estavam a tardar muito em sair e outras que nunca  cheguei sequer a obter resposta, tive que procurar alternativas, acabando por encontrar a piscina que utilizei e assim, adaptar toda a ideia a um novo espaço. Ou seja a maior dificuldade foi fazer com que tudo o que foi pensado se tornasse realidade, sem fugir à ideia inicial!

Desta forma, esforcei-me para que a iluminação, guarda roupa, adereços, cor e personagens estivessem todos em concordância, sendo que a única coisa que não tive a possibilidade de fazer foram as máscaras das partes do corpo. De resto, todos os elementos foram por mim tratados e compostos,  tendo surgido como resultado do que aprendi nos últimos três anos do curso que frequentei na ETIC, parte técnica e comunicação visual, bem como das minhas experiências pessoais!

3

ABP – Já acabaste o curso, tens conseguido viver da fotografia?

Ao que parece essa é que é afinal a parte mais difícil! Na verdade, ainda não tive muito tempo para me organizar na procura de trabalho. Primeiro, porque após o terminus do curso, fui convidada a participar no projecto Leonardo Da Vinci, que me possibilitou ter estado os últimos meses do ano em Málaga em estágio. Até ao momento, os currículos e portfolios enviados na área de publicidade e moda, não obtiveram uma resposta totalmente positiva para mim. Deste modo, vou colaborando numa empresa familiar na área de reportagens, www.gloriaguiam.com.

4

09
Mar
09

#14 … no país da fotografia

Domingo de manhã, rodando pela A17, deparo, no vidro traseiro de uma camioneta de transporte de passageiros, ou deverei já dizer passageiras, revelando antecipadamente a trama, num cartaz onde se inscrevera “Dia Internacional da Mulher: fazemos o mesmo que os homens! E de salto alto!”. Ultrapassei o veiculo mas não o escrito,  pois até confirmei pelo retrovisor se a frente corresponderia ao verso. Atrás do condutor, mumificado, talvez pela monotonia do conduzir em linha recta, e indiferente às mulheres em pé, uma nuvem de braços no ar, batendo palmas. Imaginei que cantavam, de preferência de salto alto. Sorri.

Este fim de semana foi de cálice cheio (de Porto), eis as notas da prova…

Li ZhenshengO Livro Vermelho de Um Fotógrafo Chinês – Centro Português de Fotografia

20090307_lx_expo_019©Li Zhensheng

O Livro Vermelho foi um dos símbolos maiores do domínio que uma ideologia pode atingir, quando servida por uma máquina de propaganda e repressão como a que foi montada na China de Mao Tse-Tung.  As imagens apresentadas são disso testemunho, como afirma Maria do Carmo Séren, “fotografias que, vivendo, acima de tudo, a Revolução Cultural e a indefectível admiração por Mao Tsé Tung (…) um mito de muita esquerda ocidental e (que) entusiasmou a contracultura. Trouxe-nos os kispos de nylon baratos, as camisas à Mao, os workshops de cultura de rua. Trouxe-nos, acima de tudo, uma China que parecia feliz e muito jovem, construindo um país com o Livro Vermelho e a ciência dos estudantes dos cursos médios, esses guardas vermelhos que Mao agraciou. Com as imagens de Li Zhensheng a humilhação inútil substitui a intransigência, a simulação do mito destrói a fé” (texto integral aqui).

É-nos mostrado em tom de proximidade o que foi uma ditadura do proletariado que se transformou numa ditadura no protelariado, ilustrando o impacto da ideologia numa consciência colectiva que com ela não soube o que fazer, testemunho que felizmente sobreviveu, graças à teimosia e astúcia de um fotógrafo, ele próprio vítima posterior das tentações revisionistas do seu país e daqueles para quem e com quem trabalhava. O aspecto propagandístico ressalta na maioria das fotos, muitas delas com um conteúdo estético quase cinematográfico a que certamente não será alheia a paixão inicial  que Li Zhensheng nutria pelo cinema, à força convertida em serviço à pátria. Uma palavra para a legendagem, acrescendo à compreensão do abundante conjunto de imagens mostradas. No final, uma sensação algo apreensiva, se considerarmos que nestas fotografias estão simbólicamente contidas as sementes daquilo que parece ser a China actual, aparentando ainda ter uma visão sobre o mundo quase literalmente decalcada das páginas do defunto manual, com a diferença crucial de que agora o mesmo é debruado a ouro e o seu alcance se faz sentir muito para além das fronteiras internas desse país.

Colectiva – Hospital de S. João, 3 Formas de VerCentro Português de Fotografia

lfalves©luís ferreira alves

O formato de exposição colectiva em redor de um sujeito, é presentemente um dos conceitos mais complexos e interessantes que se pode encontrar na vertente da fotografia documental. Embora possa não existir uma colaboração estreita como existirá por exemplo numa equipa de investigação, em que os esforços comuns giram em volta de um sujeito confinado muitas vezes à hipótese-validação, no colectivo de fotógrafos existe uma soma de contributos individuais que, não estando confinados pelas barreiras do método cientifico, ainda assim não deixam de contribuir para uma noção de veracidade (não de verdade objectiva). Neste projecto, inserido nas comemorações dos 50 anos do Hospital de S. João, no Porto, é interessante o contraste obtido nas fotografias de 3 artistas com estilos, escolas e sensibilidades tão distintas, são eles Luís Ferreira Alves, Olívia da Silva e Paulo Pimenta.

lfa©luís ferreira alves

Previamente à visita, já tinha visionado este post multimédia no Arte Photográphica, que começa com uma curiosa frase de Luís Ferreira Alvescheguei à conclusão que o esquema conceptual das fotografias iria ser eu próprio, as fotografias que me saltassem ao caminho, eu tirava-as”. Uma vez demonstrado ao que vinha, o fotógrafo exibe uma mão cheia de fotos absolutamente espantosas de rigor formal, de domínio técnico, mas que sem dúvida interpretam os valores do mesmo em relação ao local, um sítio feio, desinteressante, frio, escuro, sombrio, mórbido, que só a muito custo e de forma artificial consegue devolver algum lado de calor humano, contudo, isso não impedindo que o mesmo seja fotografado de forma verdadeira, realista e com tudo o que a palavra possa implicar, subjectiva. O “abalo ao conceptual” e a subjectividade do portfolio proposto poderão não deixar indiferentes os cultores da actual vertente neutral e objectiva da fotografia.

osilva

osilva2©olívia silva

Olívia da Silva exibe uma visão também ela dotada de rigor e formalismo, embora neste caso talvez mais académico que estético. Pelas suas palavras, depreende-se que tenta fundir neste projecto de retrato, uma amostra de colaboradores, um aspecto artístico já presente no edifício que evidenciasse o aspecto de retrato (o quadro de D. João VI) e a mais complexa idéia de trazer colaboradores de várias áreas a um espaço cerimonial do hospital (a sala onde o quadro estava exposto) espaço esse que não lhes seria muito familiar. Confesso o meu gosto pelo retrato em formato quadrado, mas os planos escolhidos bem como a iluminação não me pareceram especialmente felizes. Por outro lado, a figura de D. João VI pela repetição (e posição ocupada no plano) parece ascender sobre as pessoas que estão a ser fotografadas, parecendo provocar um desequílibrio hierárquico que retira importância ao fotografado e fazendo duvidar sobre quem está a ser efectivamente a ser fotografado/representado. Quanto à ideia de colocar colaboradores em ambientes que lhes não são familiares, tal pode ser um interessante ponto de confluência entre escalões hierárquicos, todavia de que modo pode essa aproximação ser duradoura, ou temos apenas essa ilusão patente nas fotografias de que a fotografia supostamente pode ou deve promover alguma horizontalização da hierarquia? E poderá esse nivelamento ser compatível debaixo da égide de uma figura autocrática omnipresente nas fotografias, ou é apenas forjado com base no facto de D. João VI ter sido patrocinador da medicina em Portugal?

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ppimenta21©paulo pimenta

Paulo Pimenta apresenta uma abordagem cunhada no fotojornalismo, tal como num ensaio de cobertura de um evento, tentando dar uma visão abrangente do mesmo, ou para utilizar  as suas próprias palavras “da entrada até à saída” (do hospital, leia-se) proporcionando uma visão que tenta aproximar o  espectador da vivência na vida hospitalar, os aspectos íntimos e reconhecidos da vivência hospitalar, a dor, o sofrimento, a angústia, a espera, o acto laboral, alternando entre o fotograma realista e algumas metáforas visuais, complementando e completando este interessante projecto.

Júlio de MatosFlat Water – Galeria Serpente, Porto

20090307_lx_expo_043

Para quem não conhece o Porto, a Rua Miguel Bombarda é o ponto fulcral das artes na cidade, onde se contam fácilmente umas 4/5 dezenas de estabelecimentos, entre lojas, galerias, ateliers, etc, ligados às artes, ao design, etc, sendo promovido mensalmente o dia das inaugurações, que a torna numa artéria apinhada de pessoas e eventos interessantes, quase porta sim porta sim, num frenesim cultural sem paralelo no país (infelizmente). Este sábado foi um desses dias, o que conjugado com o dia solarengo, trouxe a essa arty rua um ambiente de festa, quase a descambar na overdose cultural.

É nessa rua, mais concretamente na Galeria Serpente que reside até 4 de Abril esta exposição de Júlio de Matos em cujo statemente se lê “1 – A bidimensionalidade e horizontalidade da superfície da água, quando em repouso. A água enquanto conceito inicial de espelho, que gerou mais tarde o conceito de espelho com memória.
2 – A bidimensionalidade da impressão fotográfica, e a sua aparente tridimensionalidade provocada pela nossa incontrolada capacidade para descodificar a informação fotográfica como uma janela sobre a realidade.
3 – A bidimensionalidade dos artefactos gráficos justapostos com um rigor pixelizante na superficie da imagem fotográfica, podem questionar a aparente tridimensionalidade da imagem ao propor á visão um exercício mental de reconciliação perceptiva.

20090307_lx_expo_045

A apresentação desta série, está também complementada por um texto a cargo de Bernardo Pinto de Almeida, intítulado “Para uma semiologia prática da imagem”, possívelmente ancorado na incapacidade descodificadora a que alude o artista no ponto 2 do statement. A temática do elemento Água é usada como pretexto para um paralelo encontrado com os limites do fotográfico, a água como espelho e como elemento portador de memória (a este respeito ver os trabalhos de Masaru Emoto: Mensagens da Àgua), a bidimensionalidade da superfície aquática, qual prova de impressão e finalmente, numa vertente talvez menos percetível à ligação com a Água, os elementos gráficos introduzidos, digitalmente suponho , os quais confesso, me fizeram vir à  cabeça uma frase que vi num projecto fotográfico americano “i’m going Baldessari”. O aparente quebrar daquilo que se espera perceber numa imagem onde a natureza é dominante, induzido pelas linhas geométricas introduzidas artificialmente, tem efectivamente o dom de relançar o questionamento sobre a forma de olhar não só a natureza, como a matriz simbólica nela aposta, contudo parece também esse acto introduzir nesta série um elemento de complexidade talvez dispensável, pois creio que a mesma já contém uma riqueza conceptual considerável, mesmo considerando apenas a proposta dos pontos 1 e 2 do statement.

20090307_lx_expo_046Não que discorde de um certo desconforto provocado pelo sobreposição gráfica em imagens algumas delas de uma beleza relativamente kitsch, a arte também pode desconfortar mesmo sem que para isso tenha que necessiriamente epater le bourgeois, chocando ou subvertendo. A minha dúvida prende-se talvez com o facto de que o dispositivo empregue parece não contracenar adequadamente não só com o conceito de espelho e memória, mas além disso, dificulta a leitura simbólica da imagem, mais contribuindo para o adensar semiótico da mesma, ainda que sendo trabalhado no espectador talvez o desconstruir de uma certa forma de olhar, para posterior reconstrução da mesma com base em novos dados. Não conheço o trabalho anterior deste fotógrafo, pelo que se torna difícil perceber a sua trajectória apenas com base no texto introdutório ou no CV, todavia parece aparente a vontade de abrir novos caminhos da sua expressão fotográfica, ainda que não descolando do cariz identificador da prática anterior. Com base no que nesta exposição é dado a observar, existem dados suficientes que permitem antecipar entusiasmo e expectativa na antevisão de novos desenvolvimentos, face a esta exposição que foi talvez a mais interessante da tarde, não tanto pelo aspecto pictórico,  mas sobretudo pela proposta conceptual nela contida.

O dia não quis terminar sem mais uma exposição, desta feita uma pequena mostra de artistas do colectivo lab65 na FNAC do NorteShopping. Pouco há a dizer, apenas duas fotos de cada fotógrafo, deu para ficar com uma idéia acerca dos trabalhos promissores das gentes sobretudo ligadas ao Norte, mas com um ou outro elemento também do Sul, quase todos com o denominador comum da premiação em concursos de renome. Foi pena não ter conseguido apanhar a “Hospitalidade” do Paulo Catrica, que esteve na galeria dos Silos do NorteShopping, pois que já estava em fase de desmontagem.

06
Mar
09

ligações (pouco) perigosas 06-03-2009

Para os que ainda duvidam da capacidade comunicacional da fotografia, aqui está um belo mas algo batoteiro exemplo, pois que o ponto fulcral desta foto é o texto, sendo o resto mero acessório. Bom fim de semana!

05
Mar
09

aaron huey, walk across america

Aaron e Cosmo, numa fantástica aventura de 5 meses e 3000 km, fotografias em Walk Across America.

04
Mar
09

#5 porque é que vieste?

andancas-pqv-0051

03
Mar
09

#9 a minha casinha (uma série pouco séria…)

lxreader

O artigo podia chamar-se “a fita do Óscar”, mas o trocadilho estéril, facilmente induziria a quem passa a possibilidade de leitura acerca da melhor estatueta, quando apenas é faladura, sobre um ou outro filme da estação premiável. Vi O Leitor, lido o filme, que gira em torno (da necessidade) do julgamento, acabei meditando nas questões da lei e da moral, pilares da sociedade ou ervas daninhas? Doutro ângulo, a necessidade que temos de julgar e explicar, que nos parece col0car (in)cómodamente do lado do bem ou do mal. Se um não existe sem o outro, a erradicação de um poderia significar a erradicação do outro, talvez indo além de ambos, já preconizara Nietzsche.  É um exercício complexo esse de não julgar, sobretudo quando abundam as referências para o fazer, nessa autêntica prateleira de supermercado que é a consciência colectiva, a abarrotar de preconceitos, dogmas, mitos, ideologias, mentiras, num pronto a consumir acéfalo, geralmente servido nesse prato porta-logótipos, inútil e imbecil, em que se transformou a grande maioria dos media contemporâneos.

Quem como eu não leu o livro, acaba por não se aperceber da rasteira induzida pela adaptação do argumento, lêde isto n’ A Natureza do MalE dentro da enormidade da culpa, a insinuação de uma vergonha maior, que escorre pelo livro e é, no início, a culpa do rapaz por ter elidido Hanna Schmitt, a mulher mais velha, primeiro junto da família e depois, num momento capital. Nesse momento, que por razões inexplicáveis o filme não mostra, Hanna surge sem ser esperada na piscina fluvial e o rapaz, questionado pelo grupo de amigos, finge não a conhecer. Ele julgará que foi a sua cobardia que motivou o desaparecimento de Hanna e o espectador de O Leitor fica sem chaves para a culpa que Michael Berg arrasta consigo até reencontrar Hanna Shmitt na barra do Tribunal“. Esse artifício, cujo fim não se vislumbra claramente, que caso tivesse sido evitado, teria apenas um efeito, o de apaziguar a necessidade de encontrar explicações para a dor que não se compreende e se julga poder, através da suposta compreensão, ajudar a sarar. Seguindo os passos de uma terapia bem sucedida, na qual sem o processo de aceitação e integração, não existe dor curada, amiúde o processo de compreensão, sobretudo quando não acompanhada da empatia,  poderá até ser dispensável, sendo a prescrição mais do domínio do perdão, caminho esse percorrido tardia e equivocamente no filme.  Aliás como na vida, em que o mais importante acto interior deveria ser o de perdoar, mesmo sem passar pelo julgar ou compreender, e em que se acaba por perder demasiado tempo com o (pseudo)compreender, sem dúvida para poder inocentar ou culpar, arrastando dor e sofrimento para todos os envolvidos. Mesmo no claramente punível (no social), o suposto acto de compreender acaba por tomar tantas formas, pontos de vista, opiniões, etc, que a punição acaba por se espalhar em direcções insidiosas, quantas vezes abatendo-se sobre todos, menos sobre o que efectivamente deveria ser punido, resultando numa sociedade que não chega a termos, nem sobre a punição nem sobre o perdão, tal como parece acontecer neste filme.

Milk é o filme. Liberdade para se ser quem se é, um ser não eludido pelo arrumado consciente colectivo, onde pontuam os iluminados sermões dominicais, os limpos e imaculados lençóis conjugais, os fortes e inquebrantáveis laços pátrios, essa tríade igreja-pátria-família, cuja construção parece assentar em modelos de sustentada  hipocrisia-cobardia-irresponsabilidade. Só não estamos numa sociedade doente porque um pequeno número de células continua a lutar pela vida, pela afirmação, pela responsabilidade, pela diferença, pelo não julgamento. Os Milks desse mundo são o exemplo da afirmação – acto e palavra – maior de que um homem pode ser capaz, eu sou o que sou, desse modo erguendo-se responsável, individuado e cosmocêntrico, perante um colectivo coxamente infantilizado no eucêntrico e/ou etnocêntrico, no qual e apesar deste filme, os gays não são excepção.

02
Mar
09

mathieu bernard-reymond, monuments

título: interest income comparison 4%-8%/comparação entre rendimentos de juros 4-8%


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Título: your investment can only grow/o seu investimento só pode crescer


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título: cost data for wind turbines and solar modules/custo das turbinas de vento e módulos solares

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título: portfolio diversification/diversificação do portfolio

Esta série Monuments criada em 2005 por Mathieu Bernard-Reymond, associando a linguagem da gestão à paisagem. Absolutamente fascinante…

27
Fev
09

ligações (pouco) perigosas 27-02-2009

Propostas fotográficas para roupão e chinelos…. Bom fim de semana!

  • Entrevista (1996) com Robert Frank: American Visions
  • One in 8 Million é uma rúbrica multimedia do New York Times, contando pequenas histórias sobre novaiorquinos, podem ser vistos The Walking Miracle, The Bridge Byciclist, The Urban Taxidermist e outros personagens.
  • A crise explicada, não é fotográfico, mas não deixa de ser essencial,The Crisis Visualized
  • Um conjunto de eurodeputados criou uma petição online, visando maior atenção ao fenómeno da corrupção, assine e divulgue em Stop Corruption
  • Para terminar esta semana algo “imoral” aqui no blog, este ensaio da webzine Burn com nome enganador Sick Girl

26
Fev
09

Martin Schoeller

© Martin Schoeller – Irene Andersen


© Martin Schoeller – Sarah Bridges


© Martin Schoeller – Sarah Dunlap


© Martin Schoeller – Nadia Nardi


Gostei desta série de Martin Schoeller, a ver no site da ACE GALLERY, o feminino sai valorizado mesmo perante a forte dimensão máscula dos corpos. Escolhi exibi-la como contraponto ao trabalho que tenho vindo a mostrar ao longo desta semana, que pode ser visto nos posts abaixo, onde são retratados indíviduos que assumem uma máscara do género contrário ao seu próprio género, sobretudo homens mascarados de mulher, num contexto carnavalesco, mas que, como tive oportunidade de ir percebendo, nalguns casos as máscaras pareciam esconder uma realidade identitária algo diferente. Aqui são retratadas mulheres, cujos corpos são fortemente masculinizados devido à prática do culturismo, fazendo-o num contexto regular, não como máscara. Todavia esta prática pelas mulheres certamente levanta questões não só quanto ao papel do género (gender role), como às formas de representação mediada do corpo feminino, e sem dúvida quanto à própria identidade do género, aqui sim cruzando-se com as “identidades trocadas” do Carnaval.

25
Fev
09

Enterrar o Entrudo

Mais uma imagem desta série que iniciei este ano, aqui no Carnaval de Torres. Em breve postarei algo mais abrangente sobre este trabalho de retrato, de certo modo conectado com outros interesses que persigo, quer ao nível da fotografia quer da Psicologia, ligados não só à identidade como ao papel do género.

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25
Fev
09

Courbet, versão contemporânea

Foto: Herlinde Koelbl
25
Fev
09

Michel Comte, Women


© Michel Comte – Carla Bruni

© Michel Comte – Pamela Anderson

© Michel Comte – Helena Christensen

© Michel Comte – Gisele Bündchen

© Michel Comte – Lucy Liu

Através da newsletter da Photography-now.com, o anúncio da exposição de Michel Comte na galeria GUY HEPNER CONTEMPORARY, Los Angeles, USA.

E este atentado à moral chamado Lucy… onde é que pára a polícia? E o MP?

24
Fev
09

É Carnaval!

A propósito da apreensão pela PSP de Braga de um livro cuja capa, reproduzindo um quadro de Courbet, foi  considerada pornográfica pelos agentes. Efeitos carnavalescos…

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23
Fev
09

A saga do Magalhães, afinal era falso Epílogo (é Carnaval…)

Já tinha explicado aqui, mas se não acreditam aí está a prova…

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23
Fev
09

#13 …no país da fotografia

Desta vez, uma mão cheia de visitas, as do fim de semana, mais a atrasada nota da ida ao Porto, para ver o prémio BesRevelação 2008, exposto em Serralves.

Manuel Luís CochofelThe Inner World of Valentina 170167 – Galeria Pente 10, Lisboa

A exposição está distribuída por 2 pisos, no primeiro são exibidas imagens retiradas de sites da Internet dedicados à busca de parceiro para fins matrimoniais, fotografadas directamente do ecrã. O fotógrafo seleccionou imagens que os utilizadores colocaram como sendo as mais propícias à auto descrição, num curioso exercício de “curadoria” acerca do retrato fotográfico. Esta exposição vem num momento quente acerca das apropriações e direitos de autor no fotográfico, com o processo movido a Richard Prince pela apropriação de fotos de Patrick Rastafarian na série Canal Zone e o caso mais conhecido do já icónico poster de Obama (agora toda a gente quer ter um obamavatar), resultando numa acção contra Sheppard Fairey, movida pela Associated Press.

O que senti ao olhar as fotos foi uma estranha sensação de falsidade, de irreal, todavia parece ser essa – pelo menos em parte – a dinâmica que está por detrás do desejo de se dar a conhecer nestes “lugares virtuais”, onde se mostra sobretudo a imagem “luminosa”, alegre, simpática, etc, resultando contudo numa sensação de artificialidade, ainda que pelo menos um dos candidatos tenha mostrado acerca de si uma coluna de fumo proveniente de uma explosão que ocorreu perto da sua casa, o que certamente daria uma tese sobre as motivações casamenteiras deste pretendente… Na sala mais abaixo, e na continuação do projecto, o fotógrafo desvenda algo dessa personagem virtual mas com uma vida real, a quem fora atribuído pelo site de busca o nome de código Valentina 170167. Recorrendo a um medley – para usar a linguagem musical, que pelos vistos privilegiou também nesta exposição – de imagens suas provenientes de outros projectos, é exibida uma sequência que remete para o estado interior da pessoal real subjacente, as suas motivações, desejos, fantasias, etc. Manuel L Cochofel urde uma narrativa ficcionada à qual não faltam motivos de interrogação, sabendo-se no entanto que à pergunta “o que está esta fotografia aqui a fazer” pode estar subjacente  uma boa ou má intenção. A fotografia no molde “arte contemporânea” aprofunda-se neste artista, que embora desenvolvendo um empenhado trabalho de afirmação, aparenta, estranha e injustamente, ser ignorado pela crítica local, pelo que se saúda de forma ainda mais pronunciada a aposta da Pente10 neste fotógrafo.

Paulo NozolinoBone Lonely – Galeria Quadrado Azul, Lisboa

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Num formato muíto diferente do habitual, quer a nível da dimensão exterior, dos acabamentos ou até de alguns recursos estéticos, mas revelando a mesma alma empática perante o sofrimento e a dor no mundo que lhe é reconhecida, imagens sempre evocantes do limiar entre a redenção e a crucificação, pelo que o trabalho embora substancialmente alterado na forma apresentada, não deixa de ter uma marca autoral vincada. Como afirma Alexandre Pomar na crónica sobre a exposição em Nozolino 2009, e acerca da obra deste fotógrafo, “sem a distância que se recomenda ao testemunho e sem a arma segurizante da ironia trata-se de uma descida aos infernos“.

Parece evidente a existência de uma forte afirmação neste trabalho, da parte de um artista que tradicionalmente usou o mesmo grande formato expositivo anos a fio, ao apresentar agora material que cabe numa folha A4. Tal acto poderá ter subjacente várias leituras, por um lado, a possível ruptura com o caminho certo preconizado pela arte contemporânea, i.é, aquele que para ascender ao sucesso parece ter que passar por um aprisionante e asfixionante mais do mesmo, canône esse aqui parcialmente abalado, sobretudo numa faceta que até agora tem sido um dos focos da discussão sobre fotografia contemporânea, a de que o tamanho conta. Já era conhecida a invalidação, ao menos parcial, desse mesmo caminho pelo fotógrafo, ao recusar a nomeação para o prémio BesPhoto. Por outro lado, na actual conjuntura depressiva por todos conhecida, o artista parece emular o momento, através de um aparente “baixar” de expectativas, retornando a um formato aparentemente mais realista ou então, apenas mais deprimido financeiramente. Aspectos mais especulativos à parte, parece seguro o facto de Paulo Nozolino conseguir mais profundidade e mistério numa fotografia sua, ainda que suja, feia ou pequena, que outros fotógrafos em séries inteiras.

António Júlio DuarteJesus Never Fails – Museu da EDP, Lisboa


Jesus Never Fails, é o título desta série que António Júlio Duarte fotografou em Goa, frase encontrada num autocarro indiano – imagem que todavia não aparece na série mostrada, “para adensar o mistério” explica o fotógrafo, mas cuja leitmotiv poderia muito bem ter inspirado uma outra “God Doesn´t Exist” que tanta polémica deu recentemente, também ela escrita numa autocarro, desta feita europeu. O puzzle apresentado, e de facto, a fotografia quadrada presta-se bem a esta noção de puzzle enigmático, é composto por estranhas coreografias animais, fragmentos de memória da presença portuguesa no território, texturas de degradação, aspectos de construção/desconstrução do território, que embora apresentados sob a forma de uma realidade fragmentada, são unificados por um título feliz que evoca o não acaso, a desfragmentação,a unidade, a continuidade e sobretudo o infalível processo de contínua mutação entre nascimento, crescimento e morte, de todos-parte que dão origem a novos todos-parte, quer pela integração, quer pela dissolução dos elementos anteriores. Se existe exposição em que o título claramente é maior que a soma das fotografias, esta é certamente uma delas, sem qualquer desprimor para as imagens apresentadas.

Vários artistasBesRevelação 2008, Museu de Serralves, Porto

Este BesRevelação visando a descoberta de jovens valores na fotografia, apresenta este ano trabalhos de Mariana Silva, Nikolai Nekh e David Infante.A primeira destes artistas, apresenta um espaço onde podem ser vistos pequenos registos filmícos do pós-25 de Abril, com recurso a um instrumento chamado moviola, que projecta a imagem num pequeno ecrã, onde se podem ver fotogramas manipulados e realinhados de modo a proporcionar um visionamento algo desconcertante, certamente visando colocar em causa a capacidade do meio para reter a verdade. Embora este projecto se enquadre num âmbito algo escorregadio face ao que se poderia considerar fotográfico, é de notar que os prémios Bes, em conjunto com o trabalho de alguns outros actores do meio, tem vindo a alargar um pouco o escopo do que tradicionalmente se conhecia como fotográfico, e embora não isentos de polémica, tem o condão de poder contribuir com novos horizontes. Nikolai Nekh apresenta imagens que transformou em postais e um video – editado e com velocidade alterada – de gravações familiares, trabalhando aspectos ligados á memória e ao local. David Infante apresenta aquele que pode ser o projecto mais fotográfico dos três, numa série aparentemente inspirada naquele que parece ser uma linha de influência em si, José Manuel Rodrigues, de quem é assistente. O uso dos quadrados, do preto e branco, das colagens, dos elementos Terra, da utilização das imagens do fotógrafo como sujeito, evocam essa filiação, que contudo descarta as linhas de mero decalque, conseguindo aportar novos destinos, criar originalidade, numa selecção onde a memória e a identidade parecem ser os conceitos privilegiados.  Devo dizer que simpatizei com qualquer um dos projectos, no de Mariana, pelo aspecto conceptual que coloca em dúvida a capacidade das imagens apresentarem uma qualquer verdade, algo que foi apresentado de uma forma muito interessante. Em Nikolai, um registo fotográfico de forte conteúdo estético, adensando o conceito com o recurso á instalação video, hoje em dia tão em voga, embora nem sempre acrescentando algo de novo. (abaixo fotos de David Infante retiradas da galeria gasosa).

 


22
Fev
09

A saga do Magalhães, Epílogo…

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Vou aproveitando o Carnaval aqui de Torres para tentar alinhavar um pequena série sobre as famosas matrafonas, mas é tudo quanto a mulheres, pois que as  do Magalhães, até agora nem vê-las… um autêntico mi(nis)tério público! Entre encontrões, cerveja entornada por cima do material, recusas, curiosidades, piropos, frio, os besanos que não colaboram  e uma valente constipação que mal me deixou voz para falar, quando aqui é preciso GRITAR com as topomodels, lá me vou mantendo à tona…

20
Fev
09

#15 ligações (pouco) perigosas

Links para o fim de semana entrudante…

19
Fev
09

Mikel Uribetxeberria, Animalia & Amy Stein, Domesticated

É assumido, tenho um fraco por séries com animais, ver aqui, aqui e aqui, para além das estórias com o cão e os gatos cá da casa… Hoje apresento duas séries, qualquer uma delas fantástica, uma do basco Mikel Uribtxeberria, intitulada Animalia, uma outra da fotógrafa americana Amy Stein (já mencionada anteriormente aqui) que se chama Domesticated.

Mikel Uribetxeberria

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Amy Stein

Watering Hole

Return

Backyard

O fotógrafo basco nada enuncia no site sobre esta série, todavia depreende-se que ao fotografar animais em locais, acções e poses eminentemente humanas, possa nesta série querer reflectir acerca do comportamento humano perante os animais selvagens, atribuindo-lhes qualidades “domésticas”, talvez iluminando uma certa necessidade não só de humanizar os animais, mas eventualmente de os compreender. Como afirma Amy Stein no statement da sua série é de facto paradoxal esta intenção relaçional, “within these scenes I explore our paradoxical relationship with the “wild” and how our conflicting impulses continue to evolve and alter the behavior of both humans and animals. We at once seek connection with the mystery and freedom of the natural world, yet we continually strive to tame the wild around us and compulsively control the wild within our own nature.”

As fotos em ambos os casos foram montadas, compostas e iluminadas de forma superior,  no do espanhol, com recurso a montagem de imagens no Photoshop, no da americana, recorrendo por vezes a animais não vivos para criar as composições. Na análise destas séries, duas questões seriam interessantes, por um lado a análise do contéudo, de que modo está ilustrada a dinâmica que se estabelece entre o humano e o selvagem, não vou enveredar por esta, embora tenha a minha posição. Por outro lado, a veracidade ou verdade na fotografia, que se levanta por estas evidentes “manipulações”, questão que fez/faz correr rios de tinta. Quanto a este aspecto não vejo em que é que a construção fotográfica possa ser desencaixada da principal discussão pós-moderna, a saber, é a realidade, exterior ao sujeito que a observa? Existe uma verdade fora do observador, ou existe ela sem o observador? Apesar das sucessivas conquistas que desaguam na diferenciação entre o eu-nós-natureza, ou belo-bom-verdadeiro, apoiadas por autores como Popper com o objectivo (natureza), subjectivo (eu) e cultural, ou Habermas com verdade objectiva (natureza), sinceridade subjectiva (eu) e justeza intersubjectiva (nós ou cultura), ainda há uma oposição forte ao reconhecimento da interdependência entre estes factores, quiçá da dificuldade em relatar algo, que pertence ao domínio dos três.

Sobretudo na fotografia “documental” e/ou “antropológica”, cada vez mais se parece observar o testamento do fotógrafo, que visa a neutralidade, a objectividade, a isenção, etc. Se isso pudesse ser tomado como uma clara tomada de posição contra o prejuízo do preconceito e do julgamento, quer da parte do fotógrafo, quer de quem vai observar as fotografias, talvez estivéssemos perante uma subjectividade isenta, mas creio que na maioria são testamentos arpoados de materialidade, razões meramente aductivas de uma neutralidade com intuito comercial, feitas para agradar a gregos e troianos, pior, destituindo o fotógrafo de consciência, de moral, de valores, de subjectividade. A fotografia aparece hoje, sobretudo com a influência da suposta escola de dusseldorf, irrazoávelmente coberta de uma aura de prestígio, que lhe advém precisamente dessa suposta neutralidade, patamar de base das ciências empiricas e avanços técnicos do séc XX, em que tudo pode ser tratado e descrito de forma objectiva. Sem dúvida que este materialismo cíentifico terá invadido as universidades ou não sejam elas as principais instituições interessadas na propagação destas idéias, com reflexo evidente nalguma fotografia académica, culta, universitária, contemporânea que por aí se vê, mas que, como já disse num artigo atrás, salvo erro na primeira ida ao BESart, é na sua grande maioria, natureza morta, aliás, não é necessário ser nenhum génio para o perceber, basta ler esta crónica recente de um coleccionador americano, a respeito de uma exposição de Candida Hoffer ” despite all of the over the top ornamental flourishes found in these rooms, the interiors are chillingly vast and empty, like tombs that have recently been unearthed and opened to anthropologists. While there are frequently subtle effects resulting from the placement of the light, for the most part, the images are dry and emotionless, in contrast to the clear hopes for grandeur and awe of the builders. (…) For us, there seems to be something absent, a missing connection that would normally draw us back to the images again and again. While Höfer has pointed her camera at a vast array of amazing places, there doesn’t seem to be anything new, fresh or memorable going on, and over time, the images become surprisingly interchangeable. And in a mind bending twist, perhaps that is just the point.”

Do ponto de vista do individual, a verdade é de natureza relativa, subjectiva, o fotógrafo escolha ou não escolha, está limitado pela incapacidade do meio em comunicar ou reflectir determinadas realidades e além disso, é a sua verdade, pode ser validada ou invalidada. Do ponto de vista colectivo, do nós, existem verdades que se conjugam para apontar não numa direcção, mas em várias, verdades intersubjectivas. Apenas se não existissem pessoas, se poderia talvez falar de verdade objectiva, não porque fosse “a verdade” mas porque era a realidade, ou simplesmente, limitava-se a ser, nems eria verdade, nem realidade, era o que era. Desse modo, na maioria dos casos a fotografia é uma imagem de imagem, algo que se apreende como sendo o real ou parte dele. Edward Steichen afirma acerca da verdade truncada numa imagem “No one has ever made either in painting or in photography, a complete portrait of a person. I don’t think that’s possible in any one picture. For example everyone has the capacity for laughter and tears, and there’s no place in between that captures the whole thing“, mas não é hoje em dia o relatório do evento mais importante que o evento em si? Caímos no mesmo local, não há real (verdade), sem interpretação (sinceridade subjectiva), e essa, advém da inserção cultural (nós).

Existe verdade na fotografia?

18
Fev
09

#4 porque é que vieste?

Hoje a questão mais pertinente seria “porque é que voltei”?

17
Fev
09

Bahar Yurukoglu, Museification

De Bahar Yurukoglu gostei desta série. museification, fotografias de casas-museu, cujos títulos são alusivos ao museificado.

Acima: Thomas Edison proposed to his second wife using morse code
Abaixo: Jackson Pollock loved jazz music

Abaixo: Johann Strauss composed over 400 waltzes but claimed to be a bad dancer

16
Fev
09

Cabo Verde II

Mais algumas recordaçom…

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13
Fev
09

Cabo Verde

Este post é para ser visto com o video aí abaixo a tocar no volume máximo sff, tudu mundu, nu bai

E porque hoje é 6ª feira…13, depois de uma semana cheia de fotografia dread, hoje não há ligações (pouco) perigosas. Há sim, imagens perigosas, para a saúde de quem as vê, tiradas aqui no sítio donde estou a blogar, país onde é tudu festa! Estas são da colheita de 2002, feitas com o incrível maquinaço que era a Canon G2, isto porque as desta semana ainda nem tive tempo de as ver drêto.

Festival da Boa Vista, imagens do concerto e pós-concerto. No final da noite, quando já eu pensava que tudo estava morto, aparece uma banda de nome Tabanka Djazz (não consegui ver nenhum video de jeito no youtube) que autenticamente alterou o meu conceito de arrasar, tocaram até o dia nascer e creio que nunca tinha visto uma multidão a saltar uma hora seguida e quando o concerto acabou, estiveram mais meia hora a saltar e a gritar “porquê parou? parou porquê?”… Fantástico. Invasão de palco, aliás eu também, vejam lá o estrago nestas imagens, depois da noitada, de manhã, os destroços…

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12
Fev
09

Masahisa Fukase, The Solitude of Ravens

Masahisa Fukase - The Solitude of Ravens
Masahisa Fukase - The Solitude of Ravens
Masahisa Fukase - The Solitude of Ravens

No final do ano passado, olhei (online) para alguns livros premiados, tendo um ou outro fixado a minha atenção, entre os quais este The Solitude of Ravens, que embora na altura não tivesse uma noção clara da força que nele me atraira, pois dei apenas uma breve vista de olhos pela pouco esclarecedora sinopse da loja que o estava a vender, claramente senti nele algo forte, que me levou a marcá-lo para posterior revisão. Após alguma pesquisa na Net, vim a perceber que um certo estado de espírito, que talvez se possa considerar negro, embora os afro-americanos lhe mudem a cor para blue, mas dizia eu, um certo estado de espírito parecia estar subjacente. Este era, é, um livro marcado por sentimentos de tristeza, de solidão, de perda, neste caso, a perda da mulher amada, com quem o fotógrafo partilhou 13 anos de casamento, e de quem eram conhecidas as alegres fotos da sua esposa enquanto casados. Após a dissolução do casamento, Fukase, que até aí perseguira uma carreira bem sucedida no mundo da moda, começou a fotografar estes corvos, que na cultura japonesa são prenunciadores de maus augúrios. Aquilo que potencialmente seria um acto catártico, talvez se tenha vindo a consumar num verdadeiro hara-kiri através do acto fotográfico, não menos belo ou criativo e se existe esplendor na pulsão do acto criador em face da perda, ou mais poéticamente, uma art of losing love, então este sublime exemplar representando dez anos de trabalho, faz-lhe inteira justiça. Numa analogia talvez um pouco desproporcionada, vem-me à mente Nicholas Cage, em Leaving Las Vegas (1995), filme que empatiza com a vontade de morrer através do suicídio alcoólico, aqui o fotógrafo parece auto submeter-se a um suícido fotográfico, aliás basta dizer que pouco depois da publicação do livro, entrou em coma do qual não recuperou, ainda que alguma pesquisa no Google evidencie dados um pouco contraditórios.

Esta está a ser a semana da fotografia sombria aqui pelo blog, com o Ballen e o Witkin da 2ª feira, embora esta não seja o tipo de fotografia que possa denotar grandes paralelos com o meu trabalho, aprecio sobretudo a intensidade com que a mesma se me apresenta, bem como as polaridades e os opostos em relação ao que persigo, pois vejo a evolução como um desafio de integração e de transcendência.

11
Fev
09

#7 capital reflex

Ver série completa, aqui

10
Fev
09

Petaouchnöck

Petaouchnöck, o lugar de que sempre se falou mas que nunca existiu, mas que afinal existiu, ali, num canto escondido da Fábrica Braço de Prata, prova disso aqui está, este retrato, por lá tirado nos idos de Outubro de 2007, depois disso, Petaouchnöck, qual espaço mágico, voltou à inexistência, enquanto que o Michel, anda sapateando por aí.

09
Fev
09

Roger Balen




Não entendo ainda muito bem em que é que Roger Ballen me faz relembrar Joel Peter Witkin, este último um dos fotógrafos que me conquistou para a fotografia, com duas tremendas exposiçoes nos Encontros de Fotografia em Coimbra, a primeira na Casa das Caldeiras e a segunda quase de seguida no Palácio da Inquisição. Witkin é absolutamente inesquecível, um verdadeiro génio da fotografia do século XX, embora com uma temática algo “retorcida”, para quem o desconhece, aqui fica um pequeno portfolio. Voltando ao início do post, parecem existir algumas semelhanças na construção das fotos, abaixo uma de Witkin que Ballen poderia muito bem ter citado. Do ponto de vista da construção da imagem as semelhanças são evidentes, a atenção ao detalhe, a encenação, a não distinção do espaço psicológico figura-fundo, torna este trabalho ainda mais verosímil com o de Witkin, ainda que incorrendo na injustiça da comparação entre ambos os autores, tal é o calibre de ambas obras. A um nível mais interpretativo, já ambas as linguagens se parecem separar um pouco mais, Witkin a pender para a dissecação da pulsão entre Eros e Tanathos, em Ballen, a representação da internalizada experiência de mundos subjectivos que roçam o absurdo, a fantasia, a estranheza, o corte na linha espaço-tempo, quase a fazer lembrar também um David Lynch (cinema).

06
Fev
09

#14 ligações (pouco) perigosas

Estas ligações eram para ter saído a semana passada, mas estive sem acesso ao meu PC e desconhecia ainda como calendarizar a publicação, portanto alguns artigos já são “velhos” na Net, nada de grave, notícias requentadas apenas… bom fim de semana!

A bicyclist has to make his way round a man lying on the street
06
Fev
09

Dune, Nude, IV

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Ver parte I, II e III.

05
Fev
09

Juliana Beasley, Lapdancer


Devia começar pelo “e porque hoje é quinta-feira” mas corro o risco da piada passar desapercebida, portanto início o post afirmando apenas que a fotografia americana tem destas coisas espantosas, a flexibilidade de acolher, apoiar, publicar, premiar e até subsidiar, autores que transparecem para o papel, algumas janelas opacas das suas vidas privadas. Nesta série, auto-retratos de Juliana Beasley, que pode ser vista também no blogue da autora em Juliana’s Lovely Land of Neurosis. Quanta desta demarche não está hoje em divída para com Robert Mapplethorpe e sobretudo Nan Goldin, é a interrogação. Cá pelo burgo,  como estamos ainda longe destas fronteiras, aliás imagino o reviralho, se alguma ex-stripper aparece por aí a fazer “fotografia contemporânea”… a menos que junte DR no prefixo, ou apresente passagem por alguma London School, então aí, já não digo nada.

Voltando ao assunto, parecem coexistir duas grandes divisões nos tipos de abordagem corrente na fotografia, a “janela sobre o mundo” e o retrato intimo ou “janela sobre mim”, a segunda em clara inferioridade de projectos em relação à primeira, o que, evidentemente, nada diz da qualidade dos mesmos. A fotografia sempre foi bem acolhida como uma forma de “cartografar” o mundo, que embora se debruce sobre a extensão, envolve também a noção de profundidade, de análise, o que de certo modo parece esbater a linha divisória entre esses 2 tipos, ainda que a posição dominante actual pareça ser a de obliterar a “psique” do fotógrafo, na sua dimensão de juíz de valor, de quem tem uma posição, de quem analisa e interpreta, tudo isso em prol de e sob a capa do estudo antropológico, ainda que também ele, fruto de alguma mente que observou e que porque o fez, alterou o próprio estado do observado. Há quem prefira um tipo de fotografia a outra, por vezes considerando que o geral é mais interessante que o particular, ou que o colectivo é mais interessante que o individual, no entanto creio que o interesse de um projecto talvez possa depender não apenas da extensão, mas também da profundidade com que o objecto é trabalhado. Obviamente que os espíritos mais académico-estatísticos preferem sempre a infalibilidade da amostra, eventualmente sob a (falsa) capa do maior interesse gerado, mas se é esse o racíocinio de “sucesso de bilheteira” que vai ditando o curso das escolas de fotografia (porque é que haveriam de ser diferentes das outras escolas?), então talvez o dinheiro seja mais bem gasto em lap dances.

04
Fev
09

Dune, Nude, III

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Um pouco então de estória sobre estas fotografias de dunas, situadas na ilha da Boa Vista em Cabo Verde, numa formação dunar apelidada de Deserto de Viana, a cerca de 10km da vila de Sal-Rei, capital da ilha. Em 2002 ali passei 7 fantásticas semanas, a dar formação em Educação e Gestão Ambiental, inserido num projecto de cooperação do programa Lusíada, dentro em breve, lá estarei a matar saudades daquela malta toda. Acabadinho de chegar à ilha, informam-me de que havia um deserto ali perto e não menos provocador, uma moto quatro disponível. Ao segundo ou terceiro dia aí vou eu, chegada ao deserto pelas 4 da tarde, calor infernal, nem sinal de gente em volta mas com a próxima povoação a uns 5km. Foi tudo quase parecido ao que se vê pela televisão no Paris-Dakar, sem qualquer experiência de andar nas dunas o idiota enfia por ali adentro, sobe duna, desce duna, atolanço, e agora? Esperar pelo camião de assistência estava fora de questão, pá para escavar também, usei todas as táticas conhecidas e desconhecidas para além de ter suado por aí uns 5 litros de água (que não tinha levado), deve ter sido a vez em que mais me auto-insultei na vida. Ainda assim o fascínio não desapareceu e voltei mais 3 madrugadas, para ver o sol nascer e tentar apanhar a luz rasante, embora neste capítulo não tenha tido muita sorte porque o dia de facto nascia pelas 6 da madrugada, mas sol, só pelas 8 ou 9 da manhã e já bem alto, com um calor já de fugir por volta das 9.30/10 horas.

É curioso o antropomorfismo de algumas das formações, mas nas fotos a PB isso já não é evidenciado. Esta pequena série já esteve exposta em duas ocasiões, sempre em oposição na côr/pb, reflectindo a côr, o quente, o calor, a morabeza, a sensualidade das gentes, e o pb, o contraste com a falta de condições, a sujidade, a secura provocada pela falta de chuva. Espero que gostem.

03
Fev
09

jazz, aqui dentro de casa

aqui dentro de casa, temos boa fotografia de jazz, mas não só. Fotos de Nica Paixão.

03
Fev
09

Dune, Nude, II

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Ver a 1ª parte, aqui

02
Fev
09

Aleix Plademunt, Espectadors

Aleix Plademunt, fotógrafo basco, aqui apresentando Espectadors, uma série para ver sentado. O sufrágio dos grandes desafios contemporâneos, a transcendência ou a dissolução, irónicamente assistidos por uma imensa e silenciosa plateia vazia.

30
Jan
09

Dune, Nude I

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Vou voltar aqui, em breve! Deixo para adivinha, estas, tiradas em 2003.

29
Jan
09

Her Morning Elegance / Oren Lavie

Video maravilhoso do fotógrafo israelita Eyal Landesman, que me fez lembrar Jan Van Holleben e o seu Dreams of Flying. Pelos vistos tendência do ano, estes videomatic’s.

29
Jan
09

Ryan McGinley, Arte e Publicidade

Mencionei Ryan McGinley há uns dias atrás, aquando da visita à exposição “Listen Darling, The World is Yours” patente na Fundação Elipse em Alcoitão. Estão expostas várias fotos do autor,

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entre as quais esta que me tinha agradado pela “Lolitesca” pose (ver o artigo). Artista aparentemente “sólido” no meio fotográfico “arte contemporânea”, caso contrário não creio que estivesse representado nesta colecção, é contudo curioso que o seu trabalho apareça ligado a anúncios de moda, pois são meios que aparentemente se misturam pouco.

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À excepção da foto que apresento em cima tirada na exposição, o trabalho exposto na coleção da Ellipse deste artista está muito na linha aqui apresentada nos anúncios da Wrangler, estranhos ajuntamentos e fusões colectivas entre o humano e natureza, eivadas de um erotismo que se expõe mas que não convida a entrar, antes pelo contrário, é elitista, fugidio, inacessível, irreverente, em suma, apetecível pelos critérios actuais do desejo. O director criativo desta campanha teve olho a identificar o fotógrafo certo para o slogan certo (lembro-me sempre do disparate Nick Knight na campanha de promoção de Portugal no estrangeiro). Basta agora saber que valor acrescentado é que esta campanha trará à marca Wrangler, que ainda eu era adolescente já levava nas lonas da Lois (as miúdas ficavam com um rabo fabuloso), da Lee e depois da Levis. É incrível como é que uma marca se aguenta tanto tempo sem que ninguém dê por ela, mas para ser sincero, também não ando muito em cima do mundo da moda. O mesmo fotógrafo aparece numa outra campanha para a Converse, em associação com o estilista John Varvatos, na qual embora se mantenham alguns traços nomeadamente a irreverência, o divertimento, o group party, etc, o trabalho parece resvalar para o acessório e perde um pouco o impacto, sobretudo pelo introdução algo forçada e artificial das taglines tipo “no mas” “make love”, que embora perfeitamente integradas no anúncio, parecem querer fugir a toda a linhagem do trabalho do fotógrafo, quase o desidentificando, pois irreverência e party people é moeda corrente no mundo da moda e da publicidade associada a ela.

Certamente não é isso que vai fazer com que um corpo de trabalho singular se transforme rapidamente em algo que qualquer um poderia fazer, até porque uma vista de olhos pelo site do fotógrafo deixa perceber que este trabalho está em linha com as linhas de força que persegue, mas a mim deixa-me algumas dúvidas sobre a coerência, não apenas pelo aspecto visual, pois o corte é evidente, mas sobretudo pela significação e simbolismo, que no caso das fotos associadas ao anúncio da Wrangler me parece mais forte, mais profundo, mais visceral, enquanto que neste último caso esse potencial parece diluir-se, mesmo com o ar sério de quem se dedica a futilidades, aparentado pelos modelos.

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Interessante é sem dúvida perceber que se quebram barreiras entre as diferentes categorias do fotográfico, no caso arte contemporânea e moda, quanto a mim num exemplo bem conseguido de edição e produção fotográfica, os anúncios da Wrangler, e noutro menos conseguido, contudo apenas sob o ponto de vista do que parece ser uma certa coerência com o restante trabalho do fotógrafo.

Recursos:
Ryan McGinley

PDNPulse: Ryan McGinley’s Disturbing New Wrangler Ads

Converse John Varvatos ‘Get Chucked’ Advertising Campaign Shot By Ryan McGinley

28
Jan
09

Polaroids de Andy Warhol… nunca são demais!

27
Jan
09

#3 Porque é que vieste?

Aproveito o post para dar algumas novas aqui do blog, pequenos ajustamentos em works e das categorias, saem os links com os portfolios no Flickr, embora ainda por lá permaneçam algum tempo, a série Porque é que vieste? embora antiga, passa a ser publicada aqui regularmente. Em breve, notícias acerca dos novos trabalhos que por aí vão aparecer… Na foto, a bonita e simpática Marta Moreno. Por onde páras tu, rapariga?




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